terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

domingo, 31 de janeiro de 2016

Área de transmissão da dengue mais que quadruplica em 10 anos no Brasil


Em uma década, a área de transmissão da dengue no Brasil mais que quadruplicou, saltando de 1,5 milhão de km² para 6,9 milhões de km² – 81% do território nacional. Isso significa que há mosquitos espalhando dengue em todos esses lugares, o que aumenta o alerta sobre como pode se disseminar o zika, vírus que usa o mesmo vetor da dengue. Do Brasil, a nova doença tem potencial para se espalhar pelo mundo.
Pesquisa publicada há uma semana no periódico de saúde The Lancet estimou o potencial de exportação da epidemia a partir do Brasil. Os pesquisadores, liderados por Oliver Brady (leia mais abaixo), da Universidade de Oxford, mapearam os destinos finais de quase 10 milhões de pessoas que saíram do País para o exterior de aeroportos próximos de locais onde o zika foi transmitido: 65% tinham como destino as Américas, 27%, a Europa, e 5%, a Ásia.
Eles então avaliaram nesses destinos onde há áreas propícias à transmissão do zika, considerando a presença de mosquitos do gênero Aedes. Concluíram que cerca de 60% da população de EUA, Itália e Argentina – alguns dos países com maior fluxo de turistas para o Brasil – vivem em áreas onde pode ocorrer transmissão sazonal da doença. E só nos Estados Unidos 22,7 milhões de pessoas residem em áreas passíveis de transmissão de zika o ano inteiro.
“O ministro (da Saúde, Marcelo Castro) não errou ao declarar que o país está perdendo a luta contra o Aedes. Mas talvez tenha sido infeliz. Se dissesse que o mundo inteiro está perdendo a luta, seria mais correto. Porque o problema não é só no Brasil. O Aedes está alcançando distribuição mundial”, afirma o virologista Paolo Zanotto, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Zanotto coordena uma força-tarefa de vários laboratórios empenhados em desvendar o zika vírus.
Parte dessa expansão, ao menos no Brasil, se dá por motivos já bem conhecidos: aumento da população de mosquitos e avanço da doença por populações que nunca tinham tido contato com a dengue ou que estão se contaminando com sorotipos diferentes. Mas o aquecimento do planeta também pode estar colaborando com isso.
Terra quente. O ano passado foi o mais quente já registrado na história, de acordo com análise das agências americanas espacial (Nasa) e de oceanos e atmosfera (Noaa). Em média, para o mundo inteiro, a temperatura foi 0,9°C mais alta que a média registrada no século 20. O Brasil, somente em dezembro, chegou a ter em algumas regiões temperaturas máximas de 3°C a 5°C mais altas que a média para o mês, segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).
O clima mais quente segue tendência observada nos últimos anos e causada pelas mudanças climáticas, mas em 2015 foi particularmente intensificado pela presença de forte El Niño. Estudos que relacionem o aquecimento global a uma maior dispersão de doenças transmitidas por vetores ainda são pouco conclusivos, mas a teoria é defendida por vários estudiosos do assunto. Na quinta-feira, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de sua diretora-geral, Margaret Chan, disse esperar que o El Niño “incremente a população de mosquitos em muitas áreas (do mundo).”
“O que temos notado é que a dengue tem ido para áreas que eram mais frias, como o Sul do País, onde as temperaturas têm subido. Lá o mosquito tem vida mais curta, mas já temos visto surtos”, diz Christovam Barcellos, da Fiocruz, que fez o mapeamento da expansão da dengue entre 2001 a 2013 (último ano em que estão disponíveis todos os dados por cidades).
“É uma questão de bom senso. Temperaturas mais altas e chuva são condições apropriadas para o mosquito se estabelecer”, explica a bióloga Margareth Capurro, também do ICB da USP, que tenta criar mosquitos transgênicos para combater a disseminação da doença.
E se para o mosquito a situação quente é boa, para o vírus também. “Quando aumenta a temperatura externa, o período de incubação do vírus dentro do mosquito fica bem mais rápido”, explica Zanotto.
Em temperaturas ambientes em torno de 25°C, o período que leva entre o mosquito picar uma pessoa com o vírus e poder transmiti-lo para outra é de cerca de 15 dias. “Mas quando a temperatura é de 30°C, esse período de incubação vai para 6 dias. Fica muito mais rápida a transmissão da doença”, diz. “Sem contar que com calor o mosquito fica muito mais ativo, se locomove mais rápido, aumentando sua área de transmissão”, complementa.
Novos vírus. O pesquisador alerta ainda que a infestação elevada de mosquitos é crucial para estabelecer a infecção por outros arbovírus. Além de dengue, zika e chikungunya, diz, muitos outros vírus estão na fila e não dá para saber qual será o próximo a vir. “Acredita-se que existe febre amarela (também transmitida pelo Aedes) em área urbanas na África (no Brasil é só em florestal) porque lá a infestação é mais elevada. O medo é que o aquecimento traga outros arbovírus para as áreas urbanas.”

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

zika Virus pode ser transmitido sexualmente?

Zika pode ser transmitido por leite ou sêmen? Veja o que a ciência já sabe

Vírus já foi encontrado em leite materno, mas não há relato de contágio.
Médica Rosana Richtman fala em vídeo sobre zika no leite e no sêmen.
zika vírus, que já foi identificado em 18 estados brasileiros e está associado ao aumento de casos de microcefalia no país, é transmitido da mesma forma que a dengue: pela picada do mosquito Aedes aegypti.


Mas há a possibilidade de o vírus ser transmitido por outros meios? Veja o que a ciência já sabe sobre a possibilidade de transmissão do vírus zika por leite materno, por relações sexuais e por transfusão de sangue.
O estudo destaca, porém, que o fato de o zika vírus replicante não ter sido encontrado nas amostras torna a transmissão por essa via improvável.
O coordenador da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira (IFF) da Fiocruz, João Aprígio, observa que a presença do vírus no leite materno não significa que ele possa infectar o bebê. Até o momento, não existem evidências concretas de que a amamentação seja um meio de transmissão. “À luz dos conhecimentos científicos, não existe contraindicação para que se amamente”, diz Aprígio.
Sêmen
Um estudo publicado na revista científica “Emerging Infectious Diseases” em maio de 2011 relata o caso de um cientista americano que, ao voltar do Senegal para os EUA em 2008, quando o país africano era acometido por surto do zika vírus, desenvolveu os sintomas da infecção já em casa, no estado do Colorado. O fato de sua mulher, que não saíra dos EUA, também ter sido infectada pelo zika foi interpretado pelos pesquisadores como um indício de uma possível transmissão sexual, pelo sêmen, do vírus.
“Nessa situação, criou-se uma possibilidade de transmissão sexual”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Érico Arruda. “Mas trata-se de uma situação mais especulativa, mais de interesse acadêmico do que pela perspectiva de isso vir a se tornar algo de importância epidemiológica.”

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Zika Virus Primeira Grande Epidemia escolheu o Brasil

Um dos mais respeitados infectologistas do país, o professor e ex-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenador de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde de São Paulo, Marcos Boulos, acredita que o país vive atualmente a maior epidemia já registrada no mundo por vírus Zika. 
"Houve poucas epidemias no mundo. A primeira grande epidemia de Zika está acontecendo agora no Brasil", disse em entrevista ao programa Espaço Público, na TV Brasilnessa terça-feira (12). O especialista defendeu o combate sistemático ao mosquitoAedes aegypti, transmissor não apenas do vírus Zika, mas também da dengue e da febre chikungunya.
Para ele, as prefeituras brasileiras erraram ao não manter um grupo técnico permanente de controle do vetor.
Boulos lembrou que a infecção por Zika, até então, era considerada uma doença mais branda que a própria dengue, já que causa febre baixa, manchas pelo corpo que desaparecem em dois ou três dias e quadros clínicos menos graves, que dificilmente levam à morte. Foi a correlação da doença com casos de microcefalia em bebês que levantou a bandeira vermelha.
O infectologista destacou que, em todos os locais onde foi registrado surto do vírus Zika, como na Polinésia Francesa, e em algumas pequenas cidades da África, o cenário não se repetiu posteriormente. “Se isso acontecer, até que não vai ser tão ruim assim. Vamos passar por um momento epidêmico importante e, depois, é provável que exista uma calmaria.”
“Precisamos conhecer melhor o Zika para saber no que ele pode se transformar. Estamos assustados com os para-efeitos, as coisas que estão acontecendo por causa do Zika”, disse. “É preocupante as pessoas quererem engravidar sabendo que, se houver Zika, podem, eventualmente, ter uma criança com problemas e isso vai atrapalhar a vida e o desenvolvimento dessa família.”
Um novo balanço divulgado ontem (12) pelo Ministério da Saúde revela que 3.530 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao vírus Zika em recém-nascidos foram notificados no país entre 22 de outubro de 2015 e 9 de janeiro. O boletim também traz a confirmação de que a morte de dois recém-nascidos e dois abortos de bebês com a malformação no Rio Grande do Norte foram em decorrência da doença.
As notificações da malformação estão distribuídas em 724 municípios de 21 unidades da Federação. O estado de Pernambuco, primeiro a identificar aumento de microcefalia, continua com o maior número de casos suspeitos (1.236), o que representa 35% do total registrado em todo o país. Em seguida, estão Paraíba (569), Bahia (450), Ceará (192), Rio Grande do Norte (181), Sergipe (155), Alagoas (149), Mato Grosso (129) e Rio de Janeiro (122).
O Ministério da Saúde só tem divulgado o número de casos em que há suspeita de que o recém-nascido tem microcefalia relacionada ao vírus Zika. Os bebês têm o quadro confirmado ou descartado depois que passam por exames neurológicos e de imagem, como a ultrassonografia transfontanela e a tomografia.
O governo investiga ainda se a morte de outros 46 bebês com microcefalia na Região Nordeste também tem relação com o Zika. O vírus começou a circular no Brasil em 2014, mas só teve os primeiros registros feitos pelo ministério em maio do ano passado.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Ministro da Saúde diz que vacina contra dengue é 'muito cara

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Três doses para 10 milhões de pessoas têm custo estimado em R$ 3 bi, diz.
Marcelo Castro afirma que espera resultados de testes da vacina do Butantã.

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, afirmou neste segunda-feira (11) que a vacina contra dengue criada pela empresa francesa Sanofi Pasteur, que teve registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 28 de dezembro, é “muito cara” e que o país ainda estuda se vai adquirir o produto.
Segundo Castro, o Ministério da Saúde espera pelos resultados dos últimos testes da vacina criada pelo Instituto Butantã.
O ministro disse que a vacina da Sanofi precisa de três doses para que o efeito seja válido. Segundo ele, isso dificulta o acompanhamento do processo de imunização.
“A vacina da Sanofi são três doses. Então a gente encontra uma dificuldade para dar uma vacina, chamar a pessoa para vacinar de novo depois de seis meses, chamar de novo. E tem uma oscilação em relação ao sorotipos de cobertura”, diz Castro.
O ministro afirma que o custo estimado para imunizar uma população de 10 milhões de pessoas pode chegar a R$ 3 bilhões. “Uma dose dessa poderia ficar em torno de 20 euros. Então uma vacina total seria 60 euros. Bota a R$ 5 o euro, para arredondar a conta, seriam R$ 300. Imagine: 1 milhão de pessoas, seriam R$ 300 milhões; 10 milhões de pessoas, seriam: R$ 3 bilhões. E 10 milhões de pessoas não é nada. Nós temos 200 milhões de pessoas para vacinar. Então é uma vacina muito cara, que por enquanto não é essa decisão de adquirir essa vacina.”
A vacina desenvolvida pelo Butantã está na fase final de testes. Se aprovada, ela será enviada para avaliação na Anvisa. “A do Butantã seria uma dose só. Acreditamos que seria um terço do preço, pelo menos. Se nós tivéssemos um público definido, por exemplo, gestantes, aí eu acho que qualquer sacrifício valeria, mas nós não temos esse público definido.”

Luta contra o mosquito
Sobre o combate ao mosquito Aedes aegypti, o ministro mencionou três cidades como aquelas que apresentaram maior sucesso. Em São Carlos (SP), a causa é brigadas mirins têm atuado com sucesso, disse. Natal (RN) tem utilizado as olvitrampas, que são armadilhas com larvicidas.
A terceira cidade bem sucedida no combate ao mosquito é Água Branca (PI), onde os agentes identificam as casas com selos, de acordo com a presença de criadouros do mosquito.

“Os agentes de saúde foram de casa em casa. Onde não tinha criadouro do mosquito, eles botavam um selo verde. Onde tinha cridouro, botavam um selo vermelho. Em outros, um selo amarelo."

Segundo Castro, em 2015 foram apenas quatro casos de dengue registrados na cidade, que tem 17 mil habitantes. O ministro diz que há indícios de que os pacientes diagnosticados com a doença podem ter adquirido o vírus fora do município, que fica a 100 km da capital do estado, Teresina.
“Aquilo ali ficava exposto. Todo mundo passa e vê a casa, vê o selo verde, selo vermelho, selo amarelo. E todo mundo quer ter um selo verde. Aquilo foi uma mobilização muito grande de toda a sociedade. E aí todo mundo fazia o dever de casa esperando a volta do agente, para quando o agente voltasse lá, ele já estar todo cumprido para botar o selo verde.”