domingo, 3 de janeiro de 2016

Um mosquito e três doenças: o risco que a população corre

Elas são transmitidas pelo mesmo mosquito e têm sintomas parecidos, mas não são iguais. Veja a diferença

Se não bastasse todo o caos e o medo que a dengue já espalha, o mosquito Aedes Aegypti também transmite outras duas doenças que já foram registradas no Brasil. Chikungunya e zika têm até alguns sintomas semelhantes, mas são diferentes inclusive nos sintomas.
Segundo a coordenadora do Comitê Científico de Medicina de Viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia, Sylvia Lemos Hinrichsen, a maior preocupação no Brasil continua sendo a dengue, mas as outras doenças também merecem atenção.
“Elas podem até ser parecidas, mas não são iguais. É complicado até para nós, especialistas, detectar e diferenciar cada uma delas. Por isso, o ideal é pedir sorologia para saber com qual doença estamos lidando”, diz Sylvia, que também é especialista em gestão de riscos e controle de infecções.
Casos de hemorragia são mais comuns em pacientes com dengue. Mas a chikungunya mata menos e só se pega uma vez. Já a zika aparece com erupções na pele (tipo alergias) e conjuntivite. Em todas elas, no entanto, o negócio é descansar e se hidratar. 
O infectologista Vladimir Neco, que já atendeu pacientes com zika, diz que o Aedes <FI5>aegypti</FI> está em todas as partes e isso só aumenta o risco de contaminação. “Tudo isso porque o mesmo mosquito transmite as três doenças”.
Para o especialista do Hospital Albert Einstein, Jacyr Pasternack, o Aedes passa a transmitir essas doenças assim que entra em contato com a pessoa infectada. “Com a explosão de casos, é bom nos prepararmos pra lidar com esses novos tipos. Eles logo estarão entre nós”.
Afeta os olhos
Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a demora na busca por tratamento dessas doenças pode causar graves distúrbios oculares que nem sempre são percebidos. O risco é maior quando a pessoa é exposta a dois tipos diferentes do vírus. Isso porque pode causar hemorragia na retina, que é a camada de células nervosas que fica no fundo do olho e transmite as imagens para o cérebro.
Por isso a recomendação é consultar um oftalmologista antes de completar sete dias do diagnóstico. “De todos os distúrbios oculares decorrentes da dengue, só a hemorragia subconjuntival altera o aspecto do olho, deixando a esclera (parte branca) congestionada de sangue”.
Para Leôncio, em caso de dor nos olhos ou visão turva, a recomendação é consultar um oftalmologista imediatamente. “O cuidado deve ser ainda maior com as crianças, que estão mais vulneráveis”.
http://www.atribuna.com.br/o-jornal-da-baixada-santista/

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